Töregene Khatun foi uma das mulheres mais poderosas da história do Império Mongol. Depois da morte de Ögedei Khan, em 1241, ela assumiu a regência de um império que se estendia por grande parte da Ásia e da Europa Oriental, governando até a eleição de seu filho Güyük em 1246.
Em Jaadugar: A Witch in Mongolia, Töregene aparece como uma mulher marcada pela conquista mongol, pelo deslocamento e pelas exigências da corte imperial. Sua trajetória se conecta diretamente à de Fatima, uma mulher persa escravizada que usa conhecimento e inteligência para sobreviver dentro do palácio.
Töregene não chegou ao poder por herança direta nem por uma coroação tradicional. Sua ascensão foi resultado de uma combinação de casamento político, maternidade, alianças cuidadosamente construídas, controle administrativo, substituição de ministros, aproveitamento de uma crise sucessória, adiamento estratégico do kurultai e apoio dos filhos e de príncipes aliados. Este artigo reconstrói essa trajetória passo a passo.
Atenção: este artigo contém spoilers de Jaadugar e de acontecimentos históricos envolvendo Töregene, Fatima, Ögedei e Güyük.
Resposta rápida
Quem foi Töregene?
- Uma nobre associada aos naimanes
- Teve ligação anterior com os merkits
- Tornou-se esposa de Ögedei Khan
- Foi mãe de Güyük Khan
- Assumiu a regência após a morte de Ögedei
- Governou o Império Mongol entre 1241 e 1246
- Substituiu funcionários do marido
- Fortaleceu sua própria rede política
- Adiou o kurultai para garantir a eleição de Güyük
- Entregou o poder ao filho em 1246
Ela foi imperatriz? Töregene foi a Grande Khatun e regente do Império Mongol. Embora não tenha sido formalmente proclamada Grande Khan, exerceu autoridade efetiva sobre o império durante toda a crise de sucessão.
Qual é a relação com Jaadugar? A obra utiliza a figura histórica de Töregene como uma de suas protagonistas. A relação dela com Fatima é baseada em elementos históricos reais, mas diálogos, sentimentos e acontecimentos privados são dramatizados pelo mangá e pelo anime.
O que é Jaadugar?
Jaadugar: A Witch in Mongolia é uma obra histórica ambientada no século XIII, durante o período de expansão do Império Mongol. A história acompanha Fatima, Sitara, Töregene, a corte de Ögedei, mulheres escravizadas, estudiosos persas, disputas de sucessão e o uso do conhecimento como arma de sobrevivência.
O site oficial descreve a série como a história de uma jovem e de uma imperatriz ligadas por um desejo compartilhado de vingança, capaz de provocar uma tempestade no maior império do mundo.
Por que Töregene é importante para a narrativa?
Ela permite que a obra explore o poder dentro do harém imperial, a política entre esposas, o papel das mães na sucessão, a posição de mulheres conquistadas pelo império, alianças entre povos, administração, conhecimento, vingança e as contradições inerentes ao exercício do poder.
Töregene nasceu entre os naimanes
Töregene tinha origem associada aos naimanes, um povo com cultura própria que entrou em conflito direto com as forças mongóis durante a expansão de Gêngis Khan. Diferente da linhagem Borjigin — a família de Gêngis Khan e seus descendentes —, Töregene entrou na família imperial por meio de conquista e, posteriormente, casamento: uma mulher conquistada que se tornaria, décadas depois, uma das figuras centrais do próprio império que a subjugou.
Essa origem molda uma identidade dividida: Töregene pertencia ao povo conquistado, mas passou a integrar a família conquistadora. Ela conhecia o custo real da expansão mongol e precisou aprender a sobreviver dentro da própria estrutura que havia destruído seu mundo original — tornando-se, com o tempo, parte da mesma máquina.
O primeiro casamento com um merkit
As fontes históricas divergem sobre a identidade do primeiro marido de Töregene: algumas a associam a Qudu, filho de Toqto’a Beki, enquanto o cronista Rashid al-Din a liga a Dayir Usun, também dos merkits. Esse casamento a ligava diretamente a um povo em conflito constante com a família de Gêngis Khan.
No anime, o episódio 6 retorna ao passado de Töregene e mostra sua vida antes do casamento com Ögedei, incluindo sua ligação com um chefe merkit e a perda da existência pacífica que ela conhecia até então. Antes de se tornar regente de um império, Töregene foi, antes de tudo, uma mulher que perdeu o direito de escolher onde viver e com quem se casar.
Como Töregene entrou na família imperial?
Após a derrota dos merkits pelas forças de Gêngis Khan em 1204, Töregene foi incorporada à família de Ögedei como sua segunda esposa. É importante entender esse casamento como consequência direta da conquista militar, não como uma união romântica: ele servia para consolidar uma vitória, incorporar uma linhagem derrotada, criar alianças, transformar antigos inimigos em parentes e demonstrar domínio sobre os povos conquistados.
A posição entre as esposas de Ögedei
Ögedei possuía diversas esposas, e Töregene era inicialmente uma entre várias. Sua ascensão dentro da própria corte veio de fatores concretos: ela teve cinco filhos homens — Güyük, Kötän, Köchü, Qarachar e Qashi —, enquanto a primeira esposa de Ögedei, Boraqchin, não teve filhos. Ser mãe de Güyük, um possível sucessor ao trono, transformou Töregene de simples esposa em representante de uma linhagem política com peso real na sucessão — e ela soube esperar o momento político certo para transformar essa posição em poder efetivo.
Ela não apoiava completamente as políticas do marido
Töregene se opunha a parte da administração de Ögedei, especialmente à política de centralização do governo e à redução de impostos promovida pelos ministros dele. O conflito não era só ideológico — envolvia controle direto da administração, distribuição de recursos, acesso ao cã, força dos funcionários e influência das elites da corte.
Abd al-Rahman
Töregene apoiou Abd al-Rahman, um administrador e coletor de impostos associado ao norte da China, como alternativa aos ministros que Ögedei já tinha. Ele representava uma nova rede de poder que dependia politicamente dela, ajudava a reorganizar o Estado e ampliava a arrecadação — mas também gerou forte resistência: seus adversários o acusavam de exploração e cobrança agressiva de impostos. Vale destacar esse ponto porque mostra que a política de Töregene envolvia escolhas controversas e reais, não apenas resistência simbólica a uma estrutura patriarcal.
A crise começou em 1241
Quando Ögedei morreu em dezembro de 1241, o império ficou sem um novo Grande Khan imediatamente definido. A tradição mongol exigia um kurultai — uma assembleia de príncipes e nobres responsável por escolher formalmente o sucessor — e essa reunião dependia da chegada de príncipes de regiões distantes, do deslocamento de exércitos, de acordos entre diferentes ramos da família e de negociações políticas complexas. Nada disso acontecia rapidamente.
Nesse intervalo, Möge Khatun, uma das viúvas de Ögedei, assumiu a autoridade temporária. Mas Töregene tinha mais apoio entre os próprios filhos e aliados de Ögedei, e na primavera de 1242 assumiu o controle completo como Grande Khatun, com o apoio decisivo de Chagatai — outro filho de Gêngis Khan — e de seus próprios filhos.
Como Töregene chegou ao poder?
A ascensão de Töregene se apoiou em quatro pilares que se reforçavam mutuamente.
Legitimidade familiar.
Como viúva de Ögedei e mãe de Güyük, ela representava a continuidade natural da família — o que servia de justificativa para governar, ao menos temporariamente, até a definição do próximo Grande Khan.
Apoio dos filhos.
Güyük era candidato ao trono, e os demais filhos ajudavam a preservar a rede familiar em torno dela. A maternidade, nesse contexto, se transformava diretamente em capital político.
Controle da corte.
Töregene substituiu ministros, nomeou aliados próprios, e passou a controlar informação, receitas, comunicação e o acesso aos príncipes — os mecanismos reais que sustentam qualquer governo, muito além de um título formal.
Adiamento do kurultai.
Ao atrasar a convocação da assembleia sucessória, ela ganhou tempo para fortalecer Güyük, neutralizar adversários, negociar alianças e, aos poucos, criar a aparência de que a eleição do filho era praticamente inevitável.
Töregene não tomou o trono em um único golpe. Ela transformou uma regência provisória em uma máquina de poder.
Töregene desmontou a estrutura de Ögedei
Uma vez no controle, Töregene afastou ou perseguiu diretamente os principais funcionários herdados do marido. Chinqai e Mahmud Yalavach, dois dos administradores mais importantes de Ögedei, fugiram para o norte da China em busca de proteção. Masud Beg buscou refúgio nos territórios ligados a Batu Khan. Korguz foi preso e entregue à viúva de Chagatai — a quem havia desafiado — e acabou executado por ordem do Khan chagataide Qara Hülëgü. O influente conselheiro Yelü Chucai também perdeu espaço na nova administração.
O objetivo por trás dessa purga era claro: remover pessoas leais a Ögedei, impedir que adversários controlassem a administração, fortalecer aliados próprios, reorganizar a cobrança de impostos e centralizar as informações que chegavam até ela. Na prática, a regência de Töregene foi também uma guerra burocrática — ela não precisava lutar pessoalmente para transformar o império; bastava controlar quem administrava documentos, impostos, ordens, nomeações, rotas e comunicação.
Fatima e o conhecimento como arma
A Fatima histórica era uma cativa persa ou tajique — segundo registros, deportada da cidade de Mashhad — que alcançou uma posição de enorme influência junto a Töregene, tornando-se a mais poderosa entre os aliados que a regente elevou à corte. No anime e no mangá, Sitara assume o nome de Fatima, sua antiga senhora, e entra no palácio carregando conhecimentos de ciência, medicina e administração.
Dentro da narrativa, Fatima funciona como representante do conhecimento persa, sobrevivente da escravidão, conselheira, ponte entre culturas diferentes, e uma mulher originalmente invisível que alcança o centro do poder mongol — tornando-se também instrumento de vingança e contraponto direto à própria Töregene.
Por que Töregene confiava nela?
Fatima oferecia algo que nenhum outro aliado da corte conseguia: domínio de línguas, conhecimento médico, compreensão cultural, leitura política de regiões estrangeiras e capacidade administrativa refinada. Se Töregene possuía a posição, Fatima possuía o conhecimento necessário para transformar essa posição em poder de fato.
Uma aliança entre duas sobreviventes
Töregene e Fatima compartilhavam experiências centrais: a perda da terra natal, o deslocamento forçado, o ressentimento acumulado diante da violência imperial, a necessidade de adaptação constante e o uso da inteligência como principal ferramenta de sobrevivência.
Mas as diferenças entre as duas também são profundas. Töregene está dentro da família imperial e possui status herdado pelos filhos e pela legitimidade do casamento; Fatima entra no palácio como cativa e precisa conquistar cada centímetro de espaço. Töregene controla a corte e busca governar; Fatima interpreta as informações e busca, sobretudo, sobreviver e se vingar. Töregene usa influência política direta; Fatima usa ciência, linguagem e estratégia.
As vinganças das duas também seguem caminhos opostos: Sitara quer destruir o império que destruiu sua vida, observando o sistema de fora; Töregene quer alterar, por dentro, o império que a transformou em vítima — ela domina a estrutura em vez de atacá-la frontalmente.
O objetivo político da regência
Töregene não queria apenas manter o governo funcionando até a escolha de um novo khan — ela queria, especificamente, garantir que Güyük fosse o escolhido. Isso não era garantido: Ögedei havia considerado outros candidatos em vida, Shiremun aparecia como alternativa possível, e outros ramos da família mongol tinham interesses próprios que poderiam pesar na decisão final do kurultai.
Para blindar a posição do filho, Töregene nomeou aliados estratégicos, removeu adversários da administração, atrasou deliberadamente a assembleia sucessória, negociou diretamente com outros príncipes e consolidou a rede de apoio em torno de Güyük — sempre preservando, ao mesmo tempo, a legitimidade da própria família.
A tentativa de Temüge
Durante esse período de instabilidade, Temüge Otchigen — um dos irmãos de Gêngis Khan — reuniu forças e tentou aproveitar a crise sucessória para alcançar o trono por conta própria. Güyük precisou avançar pessoalmente para enfrentar essa ameaça, um episódio que reforça o quanto a regência de Töregene não acontecia em um ambiente pacífico: ela lidava simultaneamente com rivais internos, príncipes ambiciosos, movimentações militares, disputas familiares e a pressão constante para finalmente convocar o kurultai.
Güyük finalmente se tornou Grande Khan
Depois de anos de regência e negociação política intensa, Güyük foi formalmente eleito Grande Khan em 1246. Até esse ponto, Töregene havia conquistado: reorganização completa da administração, uma nova rede de alianças pessoais, o afastamento dos antigos ministros de Ögedei, o fortalecimento da própria família e uma demonstração concreta de autoridade feminina dentro de uma estrutura profundamente patriarcal.
A corte que recebeu a notícia da eleição de Güyük também recebeu delegações de regiões como China, Pérsia, Geórgia, os territórios da Rus e diferentes sultanatos islâmicos e orientais — prova de que a regência de Töregene não foi apenas um exercício de política doméstica. Ela efetivamente comandou relações diplomáticas e administrativas de uma potência que se estendia por diferentes culturas e continentes.
O poder voltou-se contra ela
Quando Güyük assumiu formalmente o trono, Töregene deixou a regência. Mas a influência que ela havia acumulado ao longo de cinco anos entrou rapidamente em conflito com o novo governo do próprio filho, que passou a questionar a influência da mãe, a posição de Fatima, os administradores nomeados durante a regência e, de forma mais ampla, toda a política que estava herdando.
O ponto de ruptura veio através de Fatima: ela foi acusada de utilizar feitiçaria contra Koden, um dos filhos de Ögedei. Güyük exigiu que Töregene entregasse sua conselheira mais próxima, e Fatima acabou executada de forma brutal, enquanto os apoiadores de Töregene eram perseguidos em seguida. O resultado foi a perda quase completa da influência de Töregene, a destruição de sua rede política, uma ruptura profunda entre mãe e filho, e o fim prático da regência que ela havia construído com tanto cuidado — ela morreria pouco depois, em circunstâncias ainda debatidas pelos historiadores.
Töregene tornou-se parte do sistema que destruiu sua vida
Aqui está a contradição central da personagem: Töregene foi vítima da conquista mongol, mas passou a administrar o próprio império conquistador — controlando a corte, organizando tributos, nomeando funcionários, apoiando a sucessão e participando ativamente da manutenção da máquina imperial.
Ela foi uma libertadora? A resposta não é simples. Töregene rompeu barreiras de gênero significativas e governou um dos maiores impérios já existentes, mas não aboliu nenhum dos mecanismos que a haviam transformado em vítima: conquista, escravidão, tributos, guerra, repressão, hierarquia e exploração continuaram intactos sob seu governo.
É justamente por não abandonar completamente o sistema que a personagem se torna interessante. Para deixar de ser vítima, Töregene precisou aprender a dominar a própria estrutura que a havia transformado em uma.
O que a obra adapta?
Boa parte do esqueleto histórico de Jaadugar é factual: Töregene realmente foi esposa de Ögedei, teve origem associada aos naimanes, teve ligação anterior com os merkits, tornou-se regente, apoiou a ascensão de Güyük, contou com Fatima como principal aliada, substituiu funcionários do marido, adiou o kurultai e governou até a eleição do filho.
O que é dramatizado pela obra são os diálogos, pensamentos e sentimentos dos personagens, as conversas privadas, a relação pessoal específica entre Töregene e Fatima, cenas de juventude, motivações mais íntimas, alianças detalhadas e experiências emocionais — elementos que nenhuma fonte histórica documenta com esse nível de detalhe, e que são, portanto, construção narrativa da autora.
A criadora, conhecida como Tomato Soup, pesquisou a fundo a história e a cultura mongol, incluindo experiências pessoais de viagem ao país. Segundo relatos sobre o processo criativo, ela inicialmente considerou Töregene como protagonista principal da obra, mas decidiu que Fatima permitiria representar melhor a dimensão humana do Império Mongol — porque Fatima apresenta esse império a partir de suas margens: como escravizada, estrangeira, mulher instruída, sobrevivente e observadora que atravessa diferentes culturas.
O que observar nos próximos episódios?
Alguns pontos valem atenção especial de quem está acompanhando o anime. O passado de Töregene: como a personagem reage à memória do povo que perdeu, se o casamento continua sendo mostrado como conquista, e quais ressentimentos ela ainda guarda. A relação com Fatima: quando exatamente a confiança entre as duas começa a se formar, se existe amizade real ou apenas interesse mútuo, e quais segredos cada uma ainda esconde da outra.
Também vale acompanhar a posição de Güyük dentro dessa dinâmica — se ele é tratado como herdeiro genuíno ou como instrumento político da mãe, e em que momento a relação entre os dois começa a se deteriorar. O papel do conhecimento (medicina, ciência, escrita, línguas, administração) continua sendo um fio condutor importante da trama, assim como a corte inteira funcionando como um verdadeiro campo de batalha silencioso, feito de nomeações, casamentos, rumores, impostos, presentes e acusações.
Töregene conquistou o poder dentro do império que a conquistou
Töregene tinha origem associada aos naimanes, foi ligada aos merkits através do primeiro casamento, entrou na família de Ögedei por consequência da conquista mongol, e se tornou mãe de um candidato ao trono. Assumiu a regência em 1241, reorganizou completamente a corte, afastou os ministros do marido, fortaleceu Fatima e outros aliados estratégicos, atrasou o kurultai o quanto foi politicamente viável, e garantiu a eleição de Güyük em 1246 — apenas para perder toda essa influência logo depois que o próprio filho assumiu o trono.
Töregene não nasceu como imperatriz. Ela foi deslocada, conquistada e incorporada ao império — até aprender a usar as próprias regras dele para decidir quem governaria o mundo.
Você conhecia a história real de Töregene antes de assistir a Jaadugar? Conta pra gente: você acha que ela é mais vítima ou estrategista? A relação com Fatima representa amizade de verdade ou pura aliança política? Güyük teria chegado ao poder sem a mãe? E, na sua opinião, qual foi a arma mais importante de Töregene — maternidade, influência ou conhecimento?

Seja muito bem-vindo! Eu sou o Leandro, mas no mundo dos animes todo mundo me chama de Leko. Minha história com a cultura pop japonesa começou lá em 2008. Cresci vidrado em clássicos como Dragon Ball e Digimon, e hoje sou o tipo de fã que acompanha cada detalhe e crio minhas próprias teorias.
O Animeleko é um espaço onde eu compartilho minhas próprias teorias e comento sobre a qualidade da animação dos estúdios, falo minha opinião sobre o ritmo dos lançamentos — desde os shonens clássicos até aqueles isekais de culinária bem relaxantes, como Tondemo Skill.
