Toda vez que um anime decide se apoiar em fatos históricos reais, ele ganha uma vantagem que pura ficção não tem: o leitor curioso pode ir atrás e descobrir, com uma simples pesquisa, para onde a história provavelmente está caminhando. É exatamente esse o caso de Jaadugar: A Witch in Mongolia — a trajetória de Sitara, escrava persa transformada em conselheira sob o nome de Fatima, está costurada a acontecimentos que realmente aconteceram na corte do Império Mongol do século XIII.
Este artigo reúne sete desses acontecimentos históricos — da morte de Ögedei Khan até a ascensão de Möngke quase uma década depois — e analisa como cada um deles pode impactar Sitara, Töregene e o restante do elenco caso a adaptação decida segui-los de perto.
Aviso de spoilers: este texto cobre eventos já exibidos no anime (até os episódios mais recentes) e fatos históricos documentados sobre a sucessão mongol — não é uma confirmação oficial de roteiro futuro.
Onde a Adaptação Está Agora
Nos episódios mais recentes, a trama já avançou consideravelmente além do ponto de partida. Sitara, infiltrada como Fatima ao lado de Töregene, passou por uma série de armadilhas políticas dentro da corte — incluindo uma acusação de traição que quase a levou à execução, evitada apenas pela intervenção direta de Töregene. A relação entre as duas se aprofundou a ponto de Töregene começar a revelar seu próprio passado como sobrevivente de um povo conquistado pelos mongóis, criando um paralelo direto com a história de Sitara.
Mais recentemente, a trama introduziu Boraqchin, a esposa principal de Ögedei, além do primeiro contato de Sitara com Güyük — filho de Ögedei e Töregene, retratado como uma figura fisicamente frágil e visivelmente desconfortável ao redor de estranhos. Os jogos de poder entre as diferentes esposas e príncipes do clã já deixaram Töregene escondida por um tempo, reforçando que a corte mongol está longe de ser um ambiente estável — exatamente o terreno onde os sete acontecimentos históricos a seguir se encaixam.
1. A Morte de Ögedei Khan
Ögedei, segundo Grande Khan do Império Mongol, morreu em 1241 ainda em meio a campanhas militares na Europa Oriental. O problema é que ele não deixou um sucessor formalmente definido — o que gerou uma disputa de anos entre diferentes príncipes e ramos familiares antes que um novo Grande Khan fosse escolhido.
Se o anime chegar a esse ponto, a morte de Ögedei transformaria a posição de Töregene da noite para o dia: de esposa entre várias outras, ela passaria a ser uma candidata real ao controle do império, com Güyük como herdeiro em disputa. Para Sitara, seria também o momento em que a corte inteira, já instável, se tornaria um campo minado ainda mais perigoso de navegar.
2. A Regência de Töregene
Após a morte de Ögedei, Töregene conseguiu reunir apoio suficiente entre príncipes e aliados para assumir como regente em 1242, governando o império até 1246 — um período em que ela controlou nomeações, tributos e a administração geral em nome do futuro sucessor.
Esse é, sem dúvida, o acontecimento histórico com maior potencial dramático para a obra: coloca a personagem mais próxima de Sitara diretamente no centro do poder, obrigando-a a equilibrar autoridade real com a aparência de estar apenas “seguindo tradição” até a escolha oficial de um novo Khan.
3. A Substituição dos Antigos Funcionários
Historicamente, Töregene não perdeu tempo ao assumir a regência: substituiu boa parte dos funcionários e administradores ligados ao governo de Ögedei, alguns dos quais fugiram ou buscaram proteção em outras regiões, enquanto outros foram presos.
Dramaticamente, essa é uma ótima oportunidade de mostrar como o poder muda de mãos sem uma única batalha — apenas trocando, um a um, os nomes que realmente fazem o império funcionar. Para uma personagem como Fatima, com talento para lidar com documentos e comunicação, esse período representaria uma chance real de ascensão dentro da nova ordem.
4. A Ascensão de Fatima na Corte
A Fatima histórica foi uma conselheira de origem persa que ganhou influência considerável ao lado de Töregene. Na ficção, é Sitara quem carrega esse nome e esse legado — e a força motriz de todo o anime está justamente em observar até onde essa ascensão pode levá-la.
Esse acontecimento carrega o maior peso emocional entre os sete, porque não é só sobre poder político: é sobre a própria identidade de Sitara, dividida entre manter viva a memória da mulher cujo nome ela adotou e usar essa posição para algo maior — vingança, proteção, ou os dois ao mesmo tempo.
5. O Kurultai de 1246 e a Eleição de Güyük
Levou cinco anos até que os líderes do império finalmente se reunissem em uma grande assembleia — o kurultai — para eleger oficialmente Güyük como o novo Grande Khan em 1246. O atraso não foi acidental: exigia deslocamento de príncipes distantes, negociação entre ramos familiares rivais e, no caso de Batu Khan, uma ausência notável que gerou tensão política considerável.
Se adaptado, esse evento poderia funcionar como o clímax de toda uma temporada — reunindo praticamente todo o elenco em um único cenário de negociações, alianças secretas e desconfiança mútua, com Töregene jogando suas últimas cartas para garantir o trono ao próprio filho.
6. A Queda de Töregene e a Execução de Fatima
Pouco depois de Güyük assumir o trono, sua relação com a própria mãe se rompeu, e a conselheira Fatima foi acusada de feitiçaria e executada — um golpe político que também enfraqueceu diretamente a posição de Töregene.
Esse é, sem dúvida, o ponto mais sombrio entre os sete acontecimentos, e também o que mais se conecta ao próprio título da obra: a mesma inteligência que ergueu Fatima até o centro do poder é reinterpretada, no fim, como ameaça e feitiçaria. Para Sitara, esse capítulo representaria não apenas perder uma aliada, mas assistir ao próprio nome que ela adotou ser usado contra si.
7. A Morte de Güyük e a Ascensão de Möngke
Güyük morreu em 1248, a caminho de um confronto direto com Batu Khan — uma morte que evitou, por pouco, uma guerra civil entre os ramos da família mongol. O trono acabou indo parar nas mãos de Möngke, de um ramo familiar diferente, eleito Grande Khan em 1251 com apoio decisivo de Batu.
Caso o anime avance até esse ponto, seria o desfecho de todo o arco de sucessão iniciado com a morte de Ögedei — mostrando que, apesar de todas as mortes, traições e reviravoltas, o sistema de poder em si permanece praticamente intacto. Para Sitara, seria provavelmente a lição mais amarga da história inteira: derrubar governantes específicos não é o mesmo que derrubar o império que os sustenta.
O Que É Fato Histórico e o Que É Dramatização
Vale separar bem as duas coisas. Datas, nomes, cargos, a sequência de sucessão, a regência de Töregene, a execução de Fatima e a ascensão de Möngke são fatos documentados. Já as conversas privadas, os sentimentos internos dos personagens e o papel exato que Sitara desempenha em cada decisão pertencem exclusivamente à ficção — é aí que a adaptação tem liberdade total para construir a tensão dramática em cima do esqueleto histórico real.
Conclusão
Jaadugar tem um material histórico raro em mãos: uma sucessão real, documentada e cheia de reviravoltas, que já vem pronta com tudo o que uma boa narrativa de drama político precisa — vácuo de poder, ascensão meteórica, queda brutal e um ciclo que se repete mesmo depois que os personagens principais desaparecem da história. Resta saber até onde o anime vai se aprofundar nesses sete capítulos reais, e o quanto vai preservar da ficção que já construiu ao redor de Sitara.
Qual desses sete acontecimentos você mais quer ver na tela — a regência de Töregene, o kurultai de Güyük ou a queda de Fatima? Deixe sua aposta nos comentários.

Seja muito bem-vindo! Eu sou o Leandro, mas no mundo dos animes todo mundo me chama de Leko. Minha história com a cultura pop japonesa começou lá em 2008. Cresci vidrado em clássicos como Dragon Ball e Digimon, e hoje sou o tipo de fã que acompanha cada detalhe e crio minhas próprias teorias.
O Animeleko é um espaço onde eu compartilho minhas próprias teorias e comento sobre a qualidade da animação dos estúdios, falo minha opinião sobre o ritmo dos lançamentos — desde os shonens clássicos até aqueles isekais de culinária bem relaxantes, como Tondemo Skill.
