Black Torch

Black Torch: conheça o shonen da Shueisha que pode ser a próxima aposta para quem curte Jujutsu Kaisen

Poucos anúncios recentes conseguiram despertar tanta curiosidade quanto a adaptação em anime de Black Torch. Depois de passar praticamente despercebida desde o encerramento do mangá, em 2018, a obra de Tsuyoshi Takaki voltou a chamar a atenção dos fãs após o projeto anunciado pela Viz Media. Agora, com o anime em exibição desde julho de 2026, já é possível avaliar se toda essa expectativa fazia sentido. A série registra atualmente uma nota geral próxima de 7/10 em agregadores como IMDb e MyAnimeList e aparece entre os títulos mais bem avaliados da temporada.

Neste guia, a proposta vai além de apresentar a sinopse. Vamos revisitar a trajetória editorial incomum do mangá, conhecer os personagens que estão no centro da história, entender os temas que movimentam a narrativa e observar como a recepção do anime está respondendo às expectativas criadas antes da estreia.

📲Participe do Nosso Canal no WhatsApp

Uma redescoberta, não apenas um novo lançamento

Black Torch surgiu em 2016 pelas páginas da revista Jump Square, da Shueisha. Mais tarde, a publicação migrou para a plataforma digital Shonen Jump+, onde chegou ao fim em 2018. Ao todo, a série teve apenas 19 capítulos, posteriormente compilados em cinco volumes — uma passagem bastante curta para os padrões de um shonen, principalmente considerando o histórico de séries da editora que permanecem em publicação durante anos.

Relatos publicados na época indicavam que as vendas não alcançaram números suficientes para garantir uma vida editorial mais longa à obra. Com o encerramento precoce, boa parte do potencial de Black Torch acabou sem ser explorada. Ficou aquela sensação inevitável de imaginar até onde a história poderia ter chegado se tivesse recebido mais tempo para se desenvolver — e, mesmo anos depois do fim, essa possibilidade continuou alimentando a curiosidade de parte dos leitores. Esse interesse voltou a crescer de forma significativa quando a adaptação em anime finalmente foi anunciada.

O próprio Tsuyoshi Takaki revelou ter recebido a notícia com surpresa, assim como muitos fãs. O autor também participou ativamente da adaptação, colaborando na supervisão de cenários e storyboards. E, se existe uma maneira descontraída de resumir o espírito de Black Torch, ela apareceu na própria frase usada por Takaki para definir a obra: “batalhas, gatos e coxas”. A expressão acabou se tornando uma espécie de slogan informal durante a divulgação do projeto.

A fusão entre Jiro e Rago que coloca o jovem shinobi no centro da guerra contra os mononoke

A história acompanha Jiro Azuma, descendente de uma linhagem shinobi e dono de uma habilidade bastante incomum dentro do gênero: ele consegue conversar com animais.

Essa característica já diferencia Jiro do protagonista tradicional que simplesmente descobre possuir um poder extraordinário e passa a utilizá-lo para enfrentar inimigos cada vez mais fortes. Sua relação com os animais ajuda a apresentar um personagem mais atento ao mundo ao redor, capaz de reconhecer valor em criaturas que normalmente seriam ignoradas.

É nesse contexto que surge Rago.

À primeira vista, ele não passa de um gato aparentemente comum. Mas o que realmente se esconde por trás dessa aparência é bem diferente. Rago é um mononoke de enorme poder, uma entidade sobrenatural inspirada no folclore japonês e que possui uma ligação direta com a guerra secreta que está por trás de grande parte da mitologia de Black Torch.

O contraste entre sua aparência inofensiva e aquilo que realmente representa é uma das características que tornam o personagem tão interessante. A dinâmica entre Jiro e o chamado “gato demônio” também se tornou um dos elementos mais comentados após a chegada do anime, especialmente pela maneira como os dois personagens funcionam juntos.

A situação muda completamente quando Jiro sofre um ataque quase fatal. Para impedir sua morte, Rago decide se fundir ao rapaz.

É a partir daí que Black Torch amplia sua proposta e deixa de ser apenas uma história de ninjas enfrentando entidades sobrenaturais. A fusão coloca Jiro no centro de um conflito muito mais antigo e complexo, envolvendo dois mundos que durante muito tempo foram tratados como inimigos. A ideia de coexistência passa a ocupar um espaço importante na narrativa, evitando que o confronto seja reduzido simplesmente à disputa entre dois lados que precisam eliminar um ao outro.

O conflito entre humanos e mononoke e a importância do Bureau

No universo criado por Takaki, os mononoke são entidades sobrenaturais que vivem ao lado da humanidade há muito tempo, embora permaneçam invisíveis para a maior parte das pessoas. E existe outro detalhe importante: eles não formam um grupo completamente uniforme.

Cada mononoke possui seus próprios interesses e objetivos. Isso impede que a história transforme automaticamente todas essas criaturas em vilões e todos os humanos em heróis. O conflito é mais complexo justamente porque existem diferentes posições dentro dos dois lados.

Os humanos também possuem uma estrutura organizada para lidar com essa ameaça. É aí que entra o Bureau of Espionage, instituição secreta responsável por enfrentar os mononoke e manter esse conflito sob controle.

A existência do Bureau deixa evidente que os acontecimentos envolvendo Jiro estão longe de representar o início dessa guerra. Existe uma história muito maior por trás dos confrontos apresentados pela obra, com regras, hierarquias e protocolos próprios. Essa organização faz com que o universo de Black Torch vá muito além de um simples confronto entre ninjas e seres sobrenaturais.

Essa estrutura de três pontas — humanos, mononoke e o Bureau como intermediário nem sempre transparente — abre espaço para conflitos mais sofisticados do que simples combate físico: confiança, manipulação de informação e alianças temporárias ganham tanto peso quanto as batalhas em si.

O que a recepção real do anime já confirmou

Com a temporada de 13 episódios cobrindo integralmente os 19 capítulos do mangá original, a crítica especializada internacional tem sido consistente em alguns pontos. A animação e o ritmo de ação são os trunfos mais citados — nada do “primeiro episódio econômico” comum em adaptações desse porte, com cenas de luta descritas como envolventes e visualmente cuidadas, um resultado surpreendente vindo do 100studio, conhecido por um trabalho mais híbrido com forte presença de CG.

Por outro lado, a estrutura segue de perto uma fórmula já vista em obras como Bleach e Jujutsu Kaisen — protagonista com poder latente, parceria com criatura sobrenatural, organização secreta —, sem um gancho que rompa totalmente com o já conhecido. Outro ponto recorrente de crítica: a personagem Ichika é descrita por parte da imprensa especializada como pouco desenvolvida além de apelo visual, sem receber o mesmo cuidado narrativo dedicado aos protagonistas masculinos.

Ainda assim, o saldo geral é positivo, e o próprio formato compacto — adaptar de forma integral um material curto, sem gordura narrativa — tem sido elogiado como um acerto que evita o problema mais comum de adaptações shonen: esticar artificialmente o ritmo para preencher uma temporada inteira.

Os mistérios que o mangá deixou em aberto

Mesmo com apenas cinco volumes, a obra original termina deixando perguntas sem resposta — qual é a origem real da guerra entre humanos e mononoke, há quanto tempo o Bureau atua nas sombras, e o que exatamente Rago sabe sobre acontecimentos anteriores à própria história de Jiro. Essas lacunas alimentaram teorias de fã ao longo dos anos: a ideia de que o conflito remonta a gerações muito anteriores aos eventos do mangá, a suspeita de que Rago participou diretamente de episódios que moldaram a atual hostilidade entre os dois mundos, e a dúvida sobre se o Bureau realmente age apenas para proteger a humanidade ou se carrega interesses políticos próprios. Nenhuma dessas teorias tem confirmação oficial, mas ajudam a explicar por que tantos leitores enxergam em Black Torch um universo maior do que o espaço que teve para se desenvolver.

Vale a pena conferir?

Considerando a recepção consolidada da temporada, a resposta é sim — especialmente para quem gosta do gênero e não se incomoda com uma estrutura narrativa mais familiar. Não é a obra que vai reinventar o shonen sobrenatural, mas entrega ação bem produzida, uma dupla de protagonistas carismática e um ritmo ágil que aproveita bem o material curto de origem. Para quem quer se aprofundar antes ou depois de assistir, a leitura do mangá é rápida — cinco volumes dá para terminar em poucos dias — e ajuda a comparar de perto como a adaptação reinterpreta certos momentos.

Conclusão

Black Torch nunca foi um fracasso criativo — foi uma obra que não teve tempo suficiente para desenvolver todo o próprio potencial. Anos depois, com um público diferente e um mercado mais receptivo a esse tipo de mistura entre folclore japonês, organizações secretas e ação sobrenatural, a segunda chance parece estar sendo bem aproveitada, com a recepção real do anime confirmando boa parte do que os fãs sempre acreditaram sobre a obra.

E você, já assistiu aos episódios mais recentes? Concorda com a crítica sobre o desenvolvimento raso de Ichika, ou acha que isso pode mudar até o fim da temporada? Deixe sua opinião nos comentários.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Rolar para cima