Black Torch estreou em 4 de julho de 2026 na Crunchyroll, adaptação do mangá de Tsuyoshi Takaki pelo estúdio 100studio, e já dividiu a crítica internacional logo no primeiro episódio. De um lado, quem viu um shounen sobrenatural com potencial real. Do outro, quem enxergou uma lista de clichês bem executada, mas sem identidade própria.
A gente assistiu, comparou as reações e chegou numa resposta — mas ela não é tão simples quanto “sim” ou “não”.
Do que se trata
Jiro Azuma é um estudante descendente de uma família shinobi, com a habilidade incomum de conversar com animais. Sua vida muda quando encontra um gato ferido chamado Rago, que na verdade é um mononoke — um espírito sobrenatural em guerra secreta com a humanidade há gerações. Quando um mononoke hostil ataca e deixa Jiro gravemente ferido, Rago cede seu poder a ele, e os dois passam a enfrentar juntos essas criaturas ao lado de uma organização de espionagem dedicada a esse conflito oculto.
O argumento a favor: potencial real
O episódio de estreia tem elogios consistentes por dois pontos: animação e ritmo de ação. As cenas de luta, especialmente depois da fusão entre Jiro e Rago, foram descritas por veículos internacionais como envolventes e visualmente cuidadas — nada do “primeiro episódio econômico” que tanta adaptação de shounen entrega só pra economizar orçamento pro meio da temporada.
Tem também comparação direta com obras consagradas do gênero, como Bleach e Chainsaw Man, tanto na estética quanto na construção do protagonista: um garoto de aparência rebelde, mas com um código moral forte por trás — no caso de Jiro, ligado à defesa dos animais. Não é uma comparação girada à toa; é o tipo de influência que, bem aproveitada, costuma indicar que o material fonte tem estrutura pra sustentar uma temporada inteira.
Vale destacar: a crítica internacional reconheceu que o episódio investe pesado em construção de mundo logo de cara — o tipo de escolha que só compensa se a série souber pagar essa dívida narrativa nos episódios seguintes.
O argumento contra: o fantasma do “shounen de fórmula”
Por outro lado, parte da crítica notou que o episódio segue uma receita bem conhecida sem trazer muito tempero próprio: protagonista com poder especial desde cedo, encontro com criatura sobrenatural que vira parceira, fusão de poderes, organização secreta que investiga o fenômeno. É a estrutura básica de dezenas de shounen de ação sobrenatural — de Bleach a Jujutsu Kaisen — reorganizada, mas sem um gancho que a diferencie de verdade logo de cara.
Some a isso um detalhe que costuma ser ignorado por quem só olha os números de audiência de estreia: o mangá original de Black Torch teve apenas 5 volumes, um ciclo de vida curto para os padrões da Shueisha. Isso não condena o anime — adaptações às vezes até melhoram o ritmo do material original — mas é um dado que pesa na hora de apostar se a história tem fôlego pra crescer além do que já foi contado no papel.
| Ponto | A favor | Contra |
|---|---|---|
| Animação e ação | Cenas de luta elogiadas, bem executadas | — |
| Construção de mundo | Investe pesado logo no episódio 1 | Excesso de exposição deixa pouco espaço pra outras coisas no episódio de estreia |
| Originalidade | Protagonista com personalidade própria dentro do arquétipo | Estrutura de trama segue fórmula já vista em vários shounen |
| Material de origem | — | Mangá teve ciclo curto (5 volumes), limitando o fôlego natural da história |
O veredito do Animeleko
Black Torch não é um episódio de estreia ruim — está longe disso. Mas também não é, ainda, a prova de que estamos diante do próximo grande nome do gênero. É um primeiro episódio competente que aposta todas as fichas na promessa de que os próximos vão entregar o que ficou só sugerido aqui: uma identidade que vá além da soma das suas referências.
Se você gosta do gênero e não se incomoda com um começo mais expositivo, vale continuar acompanhando — a essência de bom shounen sobrenatural está lá. Mas se você está esperando algo que rompa com a fórmula desde o primeiro minuto, é melhor esperar mais dois ou três episódios antes de decidir se Black Torch é um sucesso ou só mais um nome na pilha de “mais um shounen genérico” de 2026.
