Diferente de muitos isekais, Mato Seihei no Slave (também conhecido como Chained Soldier) nunca explica de forma direta e definitiva a origem de Mato. O que existe são fatos oficiais do enredo somados a fortes indícios mitológicos que os fãs vêm conectando ao longo dos capítulos. Reunimos abaixo o que é canônico e as teorias mais fortes sobre a origem desse mundo.
O que sabemos oficialmente
Décadas antes do início da história, portões (“Gates”) surgiram em diversos pontos do Japão, abrindo caminho para uma dimensão diferente, do tamanho aproximado de Quioto. Foi esse fenômeno que deu origem a Mato, a “capital demoníaca”. Dentro dessa dimensão, criaturas perigosas conhecidas como Shuuki passaram a atacar sem hesitação quem cruzasse os portões.
Ao mesmo tempo, o mesmo espaço abrigava uma solução: foi em Mato que os “Pêssegos” (Peaches) foram descobertos, concedendo poderes especiais exclusivamente às mulheres. Essa descoberta levou à criação das Forças de Defesa Antidemônios e inverteu a hierarquia social, tornando as mulheres o gênero dominante enquanto os homens passaram a ocupar posição subordinada.
Teoria 1: Mato é, na prática, o Yomi da mitologia japonesa
A teoria mais discutida entre os fãs é também a mais sustentada por evidências textuais. De acordo com o próprio material da obra, Mato pode se referir a Yomi, a terra dos mortos no Xintoísmo, já que é lá que vivem os Hachiraishin, que representam os Yakusa-no-ikazuchi-no-kami. Não é coincidência: o nome oficial dos Shuuki é “Yomi Shuuki” — ou seja, os “demônios feios do Yomi” —, o que reforça diretamente essa ligação entre a dimensão da ficção e o submundo do mito japonês.
Teoria 2: os Hachiraishin são literalmente os deuses do trovão da mitologia de Izanami
Essa é a teoria que dá mais peso “religioso” à origem de Mato. Segundo o Xintoísmo, os Oito Deuses do Trovão são kami que habitam a terra de Yomi, cada um representando um aspecto do trovão, e são vistos rastejando pelo corpo de Izanami quando seu marido Izanagi vai buscá-la no submundo. Na fuga, Izanagi os afasta assumindo uma postura imponente no Kojiki e arremessando pêssegos contra eles no Nihongi.
Na obra, os antagonistas centrais recebem justamente esse nome: os Hachiraishin (Oito Deuses do Trovão) são um grupo de Shuuki humanoides que se autodenominam “Deuses” e atuam como os principais antagonistas da série, manipulando os demais Shuuki e todos os seres vivos dentro de Mato. O detalhe mais revelador é o próprio símbolo de poder da história: os pêssegos, item central da trama, são exatamente a arma usada por Izanagi contra esses deuses no mito original.
Teoria 3: a “Mãe” misteriosa é Izanami
Se os Hachiraishin representam os deuses que guardavam o corpo de Izanami em Yomi, faltava apenas uma peça: a própria deusa. É aqui que entra outro indício apontado pelos fãs — a misteriosa “Mãe” mencionada por Taikyoku no capítulo 86 poderia ser, na verdade, uma referência à própria Izanami. Se confirmada, essa teoria sugeriria que a origem de Mato não é um fenômeno aleatório, mas a manifestação direta do mito de criação e morte do Xintoísmo — com Izanami, a deusa que se tornou senhora do submundo após sua própria morte, como a força por trás de tudo.
Teoria 4: Mato como consequência, não como acidente
Uma leitura mais especulativa, mas recorrente entre os fãs, é que a abertura dos portões não teria sido um acidente cósmico aleatório, e sim uma espécie de “vazamento” natural entre o mundo dos vivos e o Yomi mitológico — quase como se as fronteiras entre os dois planos estivessem se enfraquecendo com o tempo. Essa teoria ainda não tem confirmação direta no mangá, mas se encaixa com o fato de os próprios Hachiraishin se autodenominarem deuses e agirem para “levar a humanidade à ruína”, como se estivessem tentando reivindicar o mundo humano como extensão do submundo.
Em resumo: embora a série trate a origem de Mato como um evento quase científico (portões, uma nova dimensão, uma fruta com poderes), os nomes, símbolos e personagens usados na trama apontam fortemente para uma raiz mitológica xintoísta — com Yomi, Izanami e os deuses do trovão por trás de tudo.
Fontes
