Numa corte como a de Jaadugar, força nem sempre tem cara de espada ou trono. Às vezes é uma sucessão manipulada nos bastidores. Às vezes é um conhecimento que ninguém mais domina. Às vezes é simplesmente conseguir manter uma família inteira de pé enquanto um império desmorona ao redor dela.
A série acompanha Sitara: menina persa, mãe morta, terra natal arrancada dela, empurrada pro meio do sistema imperial mongol. O que a salva não é sorte — é o conhecimento que ganha da família de estudiosos que a acolhe, e é isso que a leva direto pra órbita de Töregene, esposa de Ögedei e, mais tarde, regente de todo o Império Mongol.
Este ranking das mulheres mais poderosas de Jaadugar recusa a régua simples de “quem tem mais força física”. Entram na conta política, inteligência, influência social, capacidade de resistir, peso histórico real, instinto de proteção e a capacidade concreta de virar o jogo.
Aviso de spoilers: conteúdo do anime, do mangá e de fatos históricos ligados às personagens.
Antes do ranking: como definimos “poder” aqui
| Tipo de poder | O que representa |
|---|---|
| Político | Influenciar governantes e decisões de estado |
| Intelectual | Educação, ciência, estratégia, memória |
| Social | Alianças, reputação, capacidade de mobilizar gente |
| Emocional | Proteger, inspirar, transformar quem está por perto |
| Histórico | Peso real ou simbólico dentro do período retratado |
Não existe gabarito oficial pra essa lista — nem a própria obra propõe um. O que segue é leitura nossa, montada em cima do que Jaadugar já mostrou e do que a história real documenta sobre essas mulheres.
O ranking, direto ao ponto
| Posição | Personagem | Onde mora o poder dela |
|---|---|---|
| 1º | Töregene | Política, regência, sucessão |
| 2º | Sitara/Fatima | Conhecimento, adaptação, infiltração |
| 3º | Sorghaghtani | Visão de mundo, estratégia |
| 4º | Fatima (mentora) | Educação, medicina, formação |
| 5º | Boraqchin | Bastidores, equilíbrio |
| 6º | Khulan | Coragem, defesa da própria gente |
| 7º | Anis | Proteção, confiança do dia a dia |
| 8º | Zumurrud | Solidariedade, transmissão de ofício |
| 9º | Möge | Honestidade, estabilidade afetiva |
| 10º | Kirgistani | Presença emocional na corte |
Antes de seguir, um esclarecimento necessário: Fatima é a mulher que acolhe e ensina Sitara ainda em Tus. Depois, Sitara passa a usar esse mesmo nome como homenagem. Aqui, “Sitara/Fatima” é tratada como a jornada inteira da protagonista — a Fatima mentora original ganha entrada própria, na 4ª posição.
10º — Kirgistani
Terceira esposa de Ögedei, e a última pessoa na corte capaz de esconder o que sente. O material oficial descreve Kirgistani como profundamente afetuosa com o marido, mas incapaz — ou sem vontade — de disfarçar a rivalidade com as outras esposas. Quando algo sai do controle, ela perde a compostura na frente de todo mundo.
Isso parece fraqueza numa corte onde cada gesto costuma ser calculado. Mas é justamente aí que mora o poder dela: Kirgistani prova, com a própria existência, que sentimento também move decisão política, que ciúme pode reconfigurar o clima de um palácio inteiro, e que a corte não roda só a base de cálculo frio.
Fica atrás de Töregene, Sorghaghtani e Boraqchin em influência direta — mas é ela quem dá à obra sua camada mais humana de poder.
9º — Möge
Quarta esposa de Ögedei, ligada por afeto genuíno a Boraqchin. Se descreve como pouco inteligente, mas carrega uma honestidade que soa quase deslocada num ambiente hostil como aquele.
| Boraqchin | Möge |
|---|---|
| Estratégia | Afeto |
| Cautela | Sinceridade |
| Visão de longo prazo | Presença |
| Política | Confiança |
| Observação | Acolhimento |
Numa corte cheia de gente calculando o próximo movimento, ser simplesmente sincero vira, por tabela, uma forma rara de poder. Möge não administra nada — mas segura pessoas importantes de pé, Boraqchin incluída.
8º — Zumurrud
Escravizada há anos na propriedade da família de Fatima, em Tus. É ela quem ensina Sitara a fazer pão — e a lidar com a rotina de uma casa inteira.
O pão que ela ensina não é só comida. É continuidade, é pertencimento, é a prova de que a vida segue mesmo debaixo de um regime de escravidão. Zumurrud representa um tipo de poder que a história oficial nunca registra: o trabalho invisível que mantém tudo funcionando enquanto exércitos conquistam territórios lá fora.
Sem influência política nenhuma — mas representando, sozinha, milhares de mulheres que sustentaram sociedades inteiras sem deixar nome em documento nenhum.
7º — Anis
Também escravizada na propriedade de Fatima, Anis funciona como a irmã mais velha que Sitara nunca teve. Habilidosa, gentil, o tipo de presença confiável demais pra não notar.
A rede de mulheres escravizadas ao redor de Sitara não é um bloco passivo de vítimas — elas trocam informação, protegem crianças, ensinam ofício, guardam memória da terra que perderam, e resistem coletivamente através da solidariedade entre si. A influência de Anis é pessoal, quase invisível de fora — mas decisiva pra quem Sitara se torna.
6º — Khulan
Filha de Dayir, líder e xamã do povo merkit. Brilhante, ainda ingênua em vários sentidos, mas com orgulho e coragem suficientes pra se colocar entre a própria tribo e a invasão mongol quando ela chega.
| Sitara | Khulan |
|---|---|
| Levada pra dentro do império | Fica ligada à própria comunidade |
| Usa conhecimento | Usa coragem |
| Sobrevive se adaptando | Resiste protegendo |
| Entra na corte | Defende o próprio povo |
| Age pela memória | Age pelo pertencimento |
Sem autoridade formal nenhuma — mas com uma coisa que poucas personagens da lista têm: capacidade de agir na hora, com o corpo, diante de uma ameaça militar real.
5º — Boraqchin
Primeira esposa de Ögedei, Grande Khatun — a imperatriz oficial. Calma quase a ponto de ser opaca, difícil de decifrar por completo. Boraqchin não disputa poder na frente de ninguém; observa, de trás da cortina, o equilíbrio inteiro do império se mexer.
Ela entende coisas que a maioria não para pra pensar: que uma aliança pode ser uma ameaça disfarçada, que um funcionário bem posicionado pesa mais que um exército, que sucessão começa muito antes do kurultai formal, e que silêncio, no timing certo, corta mais fundo que qualquer discurso.
| Boraqchin | Töregene |
|---|---|
| Cautela | Ambição |
| Observação | Ação |
| Equilíbrio | Ruptura |
| Tradição | Reorganização |
| Diplomacia | Rede de controle |
Tem leitura política afiada e posição consolidada — mas nunca chega ao nível de controle direto sobre a sucessão que Töregene vai exercer depois.
4º — Fatima
Mãe de Muhammad, de uma família de estudiosos em Tus. É quem acolhe Sitara depois da morte da mãe dela e resume a própria filosofia numa frase simples: quem estuda e se torna sábio sempre encontra um caminho, mesmo na pior das situações.
Fatima não impõe nada pela força — ela constrói em Sitara a capacidade de observar, questionar, interpretar e decidir por conta própria. Seu poder não está em comandar o império. Está em ter formado a mulher que, mais adiante, vai ter condições de desafiá-lo por dentro.
3º — Sorghaghtani
Esposa de Tolui, e possivelmente a mente mais expansiva da corte inteira: acredita que o mundo é maior que a estepe, e vai atrás disso de verdade — busca ativamente o “Elements”, de Euclides, símbolo do conhecimento ocidental que o império ainda não absorveu. Também enxerga, com clareza incomum, o perigo de um império que confunde força militar com autoridade de verdade.
| Fatima | Sorghaghtani |
|---|---|
| Conhecimento persa | Busca conhecimento externo |
| Saber como sobrevivência | Saber como leitura de império |
| Age pela vulnerabilidade | Age pela posição |
| Ensina uma criança | Planeja gerações |
Posição social, inteligência aguda e uma visão de longuíssimo prazo — o pacote completo que garante o terceiro lugar.
2º — Sitara/Fatima
Perde a mãe. Perde a terra. Vira escrava. E, ainda assim, transforma tudo isso em ferramenta de infiltração dentro do próprio império que arruinou sua vida.
O caminho dela segue uma lógica quase estratégica: virar útil, conseguir proteção, esconder a origem, assumir o nome Fatima, decifrar as regras não-escritas da corte, se aproximar de quem importa, e converter conhecimento em influência real — sempre mirando uma forma concreta de atingir o sistema por dentro.
Carregar o nome Fatima não é só homenagem. É memória preservada, legado continuado, identidade protegida, promessa não dita, luto virado estratégia. Sitara ainda está no processo de construir a própria influência, mas já é, sem dúvida, a personagem com maior potencial de transformação de toda a lista — justamente por estar do lado de fora da estrutura, aprendendo a virá-la contra si mesma.
1º — Töregene
Esposa de Ögedei, mãe de Güyük, com origem ligada aos naimanes — um povo que a própria conquista mongol um dia subjugou. Na história real, ela assume a regência depois da morte de Ögedei, em 1241, e governa até a eleição do filho, em 1246 (já detalhamos essa trajetória completa no nosso artigo sobre a ascensão dela ao poder).
O que sustenta Töregene é uma combinação rara: posição imperial, maternidade convertida em capital político, acesso direto à corte, rede de alianças bem construída, e controle administrativo de fato. A contradição que a torna interessante: ela odeia o império — mas está inteiramente dentro dele, e pra conquistar qualquer poder real precisa usar exatamente as ferramentas dessa máquina que um dia a engoliu.
| Töregene | Sitara |
|---|---|
| Tem posição | Tem conhecimento |
| Controla o acesso | Interpreta o ambiente |
| Tem autoridade | Tem adaptação |
| Conhece a corte | Conhece outras culturas |
| Quer mudar o império | Quer sobreviver e se vingar |
Autoridade, experiência, influência e peso histórico genuíno: Töregene não é só mais uma peça na corte — é, em potencial, a mulher que decide quem vai comandar o maior império do mundo.
Resumo visual: onde cada uma pisa na engrenagem do poder
| Posição | Personagem | Tipo de poder | Impacto |
|---|---|---|---|
| 1º | Töregene | Regência, sucessão | Muda o próprio governo |
| 2º | Sitara/Fatima | Conhecimento, infiltração | Ataca o império por dentro |
| 3º | Sorghaghtani | Visão de mundo | Pensa além da guerra |
| 4º | Fatima | Educação, legado | Molda a protagonista |
| 5º | Boraqchin | Bastidores | Move relações invisíveis |
| 6º | Khulan | Comunidade | Protege o próprio povo |
| 7º | Anis | Cuidado | Sustenta Sitara por dentro |
| 8º | Zumurrud | Ofício, solidariedade | Segura a vida cotidiana |
| 9º | Möge | Afeto | Dá estabilidade emocional |
| 10º | Kirgistani | Emoção visível | Escancara tensões |
Perto do trono não é sinônimo de mais poder
Töregene está perto do trono e mesmo assim depende de aliança pra continuar lá. Fatima tem conhecimento real, mas precisa de proteção constante pra usá-lo. Sitara não tem autoridade nenhuma — e pode virar o sistema pelo avesso mesmo assim. Khulan não governa nada, mas defende gente com o próprio corpo. Anis e Zumurrud não carregam título algum, e ainda assim seguram a humanidade de quem está ao redor delas, dia após dia.
O império de Jaadugar só roda porque mulheres em posições completamente distintas — algumas visíveis, outras nem tanto — sustentam a estrutura inteira ao mesmo tempo.
Quatro camadas de poder, um só sistema
- No topo: Töregene, Boraqchin, Sorghaghtani.
- No conhecimento: Sitara, Fatima.
- Na comunidade: Khulan, Anis, Zumurrud.
- No emocional: Möge, Kirgistani.
Jaadugar não entrega só “mulheres fortes” no sentido genérico. Entrega definições diferentes de força coexistindo na mesma engrenagem política.
Esse ranking é definitivo?
Não. Novos episódios ainda podem revelar mais sobre a juventude de Töregene, o real jogo de forças entre as esposas de Ögedei, até onde vai a influência de Sorghaghtani, a estratégia escondida atrás da postura discreta de Boraqchin, o passado de Khulan antes da invasão, e os limites reais do que Sitara consegue alcançar com o próprio conhecimento. Este ranking reflete o material disponível até a publicação — e deve ser revisitado conforme a história avança.
Poder, em Jaadugar, não mora só no trono
Töregene comanda política e sucessão. Sitara/Fatima transforma saber em infiltração. Sorghaghtani enxerga além da estepe. Fatima planta educação e legado. Boraqchin governa os bastidores sem nunca aparecer. Khulan protege com as próprias mãos. Anis sustenta com confiança. Zumurrud preserva o cotidiano. Möge segura vínculos. Kirgistani deixa a emoção acontecer em público.
O que essa lista mostra, no fim, é que Jaadugar recusa uma única definição de força: tem quem governe, quem aprenda, quem ensine, quem proteja, quem observe, quem cuide, quem simplesmente sobreviva — e nenhuma dessas formas vale menos que a outra.
O Império Mongol foi erguido à base de homens e exércitos. Mas quem decide o rumo dele, dentro de Jaadugar, são as mulheres que aprenderam a enxergar exatamente o que todo mundo preferia continuar ignorando.
Quem leva o seu primeiro lugar? Töregene merece mesmo o topo, ou Sitara ainda vai superá-la? Sorghaghtani está sendo deixada de lado nesse ranking? Deixa sua ordem nos comentários — e me conta qual mulher você acha que ainda falta entrar nessa lista.

Seja muito bem-vindo! Eu sou o Leandro, mas no mundo dos animes todo mundo me chama de Leko. Minha história com a cultura pop japonesa começou lá em 2008. Cresci vidrado em clássicos como Dragon Ball e Digimon, e hoje sou o tipo de fã que acompanha cada detalhe e crio minhas próprias teorias.
O Animeleko é um espaço onde eu compartilho minhas próprias teorias e comento sobre a qualidade da animação dos estúdios, falo minha opinião sobre o ritmo dos lançamentos — desde os shonens clássicos até aqueles isekais de culinária bem relaxantes, como Tondemo Skill.
